O café produzido na Serra de Apucarana acaba de conquistar um reconhecimento importante. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao Café da Serra de Apucarana o selo de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO). A certificação reconhece a autenticidade e a qualidade dos grãos cultivados em Apucarana e também nos municípios de Cambira e Arapongas, que integram a região produtora.
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Com a nova chancela, o Paraná chega a 24 Indicações Geográficas, sendo esta a terceira DO do Estado, ao lado do mel de Ortigueira e do café de Mandaguari. Diferente da Indicação de Procedência, a Denominação de Origem atesta que as características do produto estão diretamente ligadas ao território, levando em conta fatores naturais e o modo de produção local.
Entre os aspectos que diferenciam o café da Serra de Apucarana está o relevo. As lavouras estão em áreas que ultrapassam 700 metros de altitude, podendo chegar a quase 2.000 metros acima do nível do mar. Essa condição favorece a maturação mais lenta dos grãos da espécie Coffea arabica, o que impacta diretamente na qualidade e no perfil sensorial do café.
O clima da região também contribui para esse resultado. Com temperaturas médias em torno de 20,6 °C, chuvas bem distribuídas ao longo do ano e baixa incidência de déficit hídrico, Apucarana reúne condições consideradas ideais para o cultivo do cafeeiro. Somam-se a isso as práticas adotadas pelos produtores, que combinam técnicas modernas com o saber-fazer tradicional, especialmente na colheita e na torra, feita exclusivamente em ponto médio.
O resultado aparece na xícara. O café da Serra de Apucarana apresenta acidez equilibrada, notas frutadas que lembram frutas amarelas e vermelhas, além de uma doçura marcada, com predominância de melaço. Um perfil sensorial próprio, que ajudou a consolidar o pedido de reconhecimento junto ao INPI.

A conquista da IG chega em um momento simbólico para o município. Apucarana completou 82 anos no dia seguinte à concessão do selo, reforçando a ligação histórica da cidade com a cafeicultura. Hoje, o município é o quinto maior produtor de café do Paraná, com cerca de 1.200 hectares cultivados e produção anual que ultrapassa 2.300 toneladas, movimentando aproximadamente R$ 215 milhões por ano na economia local.
A trajetória do café na região também é marcada por resistência. Após a Geada Negra de 1975, que devastou lavouras em todo o Norte do Paraná, muitas áreas migraram para outras culturas. Em Apucarana, pequenos produtores familiares mantiveram a produção cafeeira ativa, adaptando técnicas, incorporando tecnologia e preservando o cultivo em propriedades menores — fator que hoje se reflete na identidade do café local.
Além da produção, o café também vem ganhando espaço no turismo. Eventos como a Festa do Café (Fescafé), realizada anualmente no distrito de Pirapó, e iniciativas ligadas à Rota do Café do Norte do Paraná ajudam a conectar visitantes à história, às propriedades rurais e às experiências ligadas à cultura cafeeira. Com a IG, a expectativa é de que esse movimento se fortaleça ainda mais, ampliando a visibilidade do café da Serra de Apucarana dentro e fora do Estado.
Foto: Edson Denobi / Prefeitura de Apucarana